Treinamento para Comunicação e Solução de Problemas para Casais

Em suas tentativas de fazer com que o outro mude, os parceiros podem recorrer a táticas de comunicação mal-adaptativas, como a coerção (chorar, ameaçar, negar o afeto). Embora a coerção possa ser eficaz no curto prazo, já que o outro pode acabar correspondendo à demanda, seu uso provavelmente vai crescer de tal forma que serão necessárias táticas cada vez mais coercitivas para obter o efeito desejado. Além disso, a coerção tende a gerar coerção, de modo que a coerção por parte de um dos parceiros gera coerção por parte do outro. O resultado inevitável dessas interações é que os casais se tornam extremamente polarizados. O objetivo do treinamento para a comunicação e a solução de problemas é ensinar os casais a discutir seus problemas e negociar a mudança sem recorrer a essas táticas destrutivas.

Como parte do treinamento de comunicação, os casais aprendem habilidades de “parceiro que fala” e de “parceiro que ouve”. Para ser o “parceiro que fala” de forma eficaz, os casais são instruídos a:

  1. Se concentrar em si mesmos ao fazer “declarações na primeira pessoa”;
  2. Concentrar-se na expressão de reações emocionais, como “eu me sinto decepcionado…”;
  3. Se concentrar nos comportamentos específicos do parceiro que levam a reações emocionais, tais como “eu fico decepcionado quando você não me telefona quando está longe”.

Para se tornar o parceiro que ouve de forma eficaz, os parceiros são instruídos a parafrasear e refletir sobre o que o outro disse, o que garante que nenhum seja mal interpretado durante a conversa, e diminui a tendência do casal a tirar conclusões precipitadas sobre o que está sendo dito, além de serenar a interação em termos gerais.

A comunicação a partir dessas diretrizes pode parecer estranha durante as práticas, de forma que os terapeutas devem tentar adaptar as diretrizes ao estilo de conversa do casal e explicar que elas parecerão naturais com o uso. O terapeuta deve estar preparado para interromper e corrigir se o casal se desviar das diretrizes e iniciar uma comunicação destrutiva. O terapeuta deve dar o feedback após cada sessão de prática. Quando estiver confiante de que os parceiros melhoraram suas habilidades de comunicação nas sessões, o terapeuta estimulará que as habilidades sejam praticadas como tarefa de casa.

Essas habilidades básicas de comunicação muitas vezes possibilitam que os parceiros contem seus sentimentos um ao outro e discutam questões difíceis que surjam, como quando um fica incomodado com a ação do outro. Contudo, às vezes é preciso mais que compartilhar sentimentos ou compreender um evento. Eles podem precisar resolver um problema que está por acontecer ou que é recorrente. Com frequência, mais prejudicial em suas lutas por problemas cotidianos do que os problemas em si é sua tentativa destrutiva de solucioná-los. Essas tentativas podem começar com uma acusação por parte de um dos parceiros, que é recebida com uma postura defensiva e raivosa por parte do outro. Em pouco tempo, a discussão pode crescer para contra-acusações e graves injúrias de caráter (rotulação), e o problema se perde no conflito à sua volta. No treinamento para a solução de problemas, os casais são ensinados a fazer discussões construtivas para resolver seus problemas empregando três conjuntos de habilidades: habilidades de definição, habilidades de solução e habilidades de estruturação de problemas.

Em primeiro lugar, os parceiros são ensinados a definir o problema da forma mais específica possível, especificando o comportamento em questão e as circunstâncias em que está inserido. Os parceiros são estimulados a descrever algumas das emoções que experimentam como resultado do problema, em um esforço para aumentar a aceitação emocional. Por fim, ambos devem definir seus respectivos papéis na perpetuação do problema.

Uma vez definido o problema, o casal pode começar a trabalhar para solucioná-lo. O primeiro passo na solução de um problema é fazer um brainstorming, no qual casais tentam levantar um maior número possível de soluções. Depois que a lista tiver sido criada, os casais a repassam, eliminando as sugestões que sejam obviamente impossíveis, tolas ou com poucas probabilidades de sucesso. Com a lista podada, cada item é analisado em relação a seu potencial para resolver o problema. Para cada um, o casal examina as vantagens e desvantagens e a lista vai sendo modificada de novo, até que se tenha um conjunto final de opções. Os itens que restaram são usados para se formular uma lista de soluções possíveis para o problema. O acordo a que se chega com relação a essa solução é anotado e, às vezes, assinado por cada um dos parceiros. Por fim, os casais devem examinar quaisquer obstáculos para levar a cabo o acordo e formular estratégias para combatê-los. Sugere-se que os parceiros coloquem o acordo em um local em que ambos possam vê-lo com frequência, e se define uma data para revisar o progresso rumo à solução do problema. Nas sessões seguintes, o terapeuta verifica os progressos que eles fizeram e o acordo pode ser renegociado, se for necessário.

Por fim os casais aprendem habilidades estruturantes para suas discussões de solução de problemas, reservando tempo e local específico para elas. Eles também são instruídos a não discutir o problema na “cena do crime”, ou seja, postergar a discussão de um problema até o momento designado. Por fim, os casais são instruídos a se concentrar em somente um problema de cada vez. Ao longo de suas discussões de soluções de problemas, eles devem seguir as diretrizes básicas de parafrasear cada declaração do outro, evitar inferências negativas em relação à intenção do outro e evitar comunicação verbal e não-verbal negativa.

As primeiras tentativas que o casal faz de usar as habilidades de solução de problemas devem acontecer na sessão, sob a supervisão do terapeuta, mas depois que os parceiros tiverem praticado e recebido feedback em relação às suas habilidades de solução de problemas, eles são estimulados a aplicar essas técnicas em casa, para ajudar a discutir e negociar seus problemas.

Se você não está conseguindo fazer progressos significativos na comunicação e solução de problemas com o seu parceiro (a), AGENDE UMA CONSULTA com um psicólogo especialista em terapia de casal.