Psicólogo Clínico Positivo – Promovendo uma Vida mais Feliz

Diversos estudos englobando vários pesquisadores permitiram afirmar que a felicidade não depende de:

Bem-estar material (fortuna, renda, casa, carro, jóias, objetos, etc.) Pesquisas mostram que dinheiro não traz felicidade, embora seja preciso ter o suficiente para satisfazer necessidades básicas, como alimentação, moradia e um mínimo de segurança.

Status social e diplomas Inteligência não ajuda ser mais feliz.

Beleza As pessoas como mais atraentes não são mais felizes (basta ver as revistas de fofoca para confirmar isto). Você não se tornará mais feliz ficando mais bonito(a), e sim amando-se mais.

Saúde Surpreendentemente, mesmo pessoas que sofrem de doenças crônicas conseguem se sentir felizes por existir.

A felicidade autêntica não tem nada a ver com a visão restritiva e comercial que a publicidade tenta nos impor. Não, um carro zero, o celular mais moderno ou uma roupa nova não vão fazer você mais feliz. Nem algumas rugas a menos, uma promoção no trabalho ou uma saúde melhor. “Muitas pessoas ricas não são mais do que simples guardiões do que possuem.”


Então, o que pode fazer você mais feliz?

Relações Sociais: ter um companheiro, cultivar círculos de amizades e relações que permitam crescer pessoalmente (com os membros da sua família, por exemplo) exercem um efeito determinante no sentimento de felicidade.

Atividades: sejam elas profissionais ou de lazer, o que nos deixa felizes é o que fazemos.

Fé: todos os estudos demonstram a importância deste fator. As pessoas que seguem crenças religiosas se dizem mais
felizes. Por quê? Pelo apoio oferecido por uma comunidade que compartilha os mesmos valores, pela relação vivaz que se mantém com o plano espiritual e por um conjunto de crenças benéficas (a vida tem um sentido, Deus sempre nos ajuda, etc.)
Portanto, a felicidade está mais ligada a um estado de espírito do que às coisas que podemos possuir.


Afinal, o que é a felicidade?

Felicidade é uma palavra que designa a que ponto uma pessoa ama a vida que ela leva. A felicidade é uma noção que varia de pessoa para pessoa. Ela pode adquirir formas diferentes para cada um. Eis quatro elementos que integram sua composição:

Viver momentos de alegria intensa (entrega de um diploma, cerimônia de casamento, nascimento de uma criança, festas, etc.).

  • Fazer coisas das quais você gosta.
  • Estar contente com o que você tem e com a sua vida.
  • Ter paz de espírito, aconteça o que acontecer.

Em outras palavras, existem quatro faces da felicidade: (a) o prazer dos sentidos e as alegrias que vivenciamos; (b) o envolvimento numa atividade que dá sentido à vida (trabalho voluntário, tomar conta de crianças, etc); (c) o contentamento devido à satisfação do que já realizamos; (d) a paz de espírito e a distância com relação aos acontecimentos.

Estas quatro faces também indicam a modificação da nossa imagem da felicidade com a idade: (a) Juventude: alegrias; (b) Adultidade: envolvimento; (c) Maturidade: contentamento; (d) Velhice: serenidade.

Pesquisadores encontraram a seguinte fórmula para a felicidade: Felicidade = Satisfação/Desejos. Em outras palavras, podemos aumentar a nossa felicidade multiplicando o número das nossas satisfações (moda ocidental), mas também diminuindo a quantidade dos nossos desejos (moda oriental).

Estudos mostram que acolher o que acontece na nossa vida com um olhar novo do mesmo modo que um recém-nascido descobre o mundo é o antídoto ao inimigo da felicidade que é denominado de hábito (os psicólogos positivos chamam esse mecanismo de adaptação hedonista). A adaptação hedonista leva a perda da capacidade de afetação positiva para um estímulo que antes produzia um acréscimo significativo no nível de felicidade. Esse fato se dá porque o prazer é acompanhado por secreções de neurotransmissores, tais como as endorfinas no cérebro. Com o tempo, os receptores destas substâncias acabam saturando. É como quando uma pessoa se acostuma com algo, com os efeitos do álcool, por exemplo. Outro exemplo seria uma pessoa que tenha ganhado uma enorme quantia na loteria e pensa que a sua vida vai se transformar. Alguns meses depois, ela terá incorporado estas mudanças e não considerará mais tão feliz assim.

Desse modo os hábitos são um freio para a felicidade, pois nos impedem de perceber a riqueza do cotidiano. A decisão de fazer as coisas de modo consciente em vez de automático faz as pessoas apreciá-las melhor. A mindfulness ou atenção plena é uma técnica comprovada cientificamente e de grande auxílio para se desfrutar mais das experiências sensoriais cotidianas.

Eis algumas mitos sobre a felicidade que devem ser abandonadas o quanto antes:

  1. “A felicidade é algo que se encontra: basta estar no lugar certo com as pessoas certas para ser feliz.”
  2. “A felicidade consiste em mudar de ambiente: um novo contexto de vida nos deixará mais felizes.”
  3. “Ou você é feliz ou não é. Não dá para escolher ser feliz. É assim ou assado, e ponto-final.”


Quais os comportamentos podem ajudar na felicidade?

1 – Otimismo: A felicidade também é uma maneira de ver as coisas, isto é, o resultado dos nossos pensamentos. Daí a importância de nos lembrarmos de escolher conscientemente a nossa forma de pensar e avaliar os acontecimentos. Cultivar o otimismo significa enxergar o lado positivo das coisas. É desenvolver um olhar diferente além do julgamento negativo diante de uma adversidade.
“O pessimismo é feito de humor, o otimismo, de vontade.” Ver as coisas pelo lado positivo necessita de um esforço redobrado e uma atenção constante.

2 – Detenha as comparações nefastas: o meio mais seguro de estragar a sua própria felicidade é estabelecer comparações com: (a) o que era melhor antes (“Ah, os bons velhos tempos!”); (b) o que eu poderia ter conseguido melhor (“Eu passei pertinho do alvo!”); (c) outras pessoas que tiveram mais sucesso do que eu (“Eu não tenho sorte!”).
Um estudo realizado sobre os pódios olímpicos demonstra que os desportistas que ganham a medalha de bronze parecem mais felizes do que os que ganham a de prata. Por quê?
Os segundos se comparam com os primeiros e ficam decepcionados por não terem ganhado, enquanto que os terceiros ficam contentes por pelo menos subirem ao pódio (comparação com os que vêm em seguida).

3 – Demonstre a sua gratidão: os benefícios da gratidão são incomensuráveis. Expressar regularmente reconhecimento pelo que você recebe e vivencia pode ser qualificado como “Terapia Milagrosa”. A gratidão apresenta os seguintes benefícios: (a) faz você ver o lado bom das coisas; (b) ajuda você a forjar comparações vantajosas; (c) leva a pessoa a valorizar o que tem; (d) encoraja os outros a darem o melhor de si; (e) favorece boas relações; (f) relaxa e deixa o indivíduo feliz.

4 – Aprenda a perdoar: o perdão não é sinônimo de reconciliação, não implicando necessariamente a reparação dos laços com o agressor. Ele também não consiste em desculpar o outro nem em negar a ofensa sofrida. Perdoar é abdicar o ódio. Perdoar é se desapegar da raiva.
Perdoar não significa esquecer ou apagar mas sim, dependendo do caso, desistir de punir ou odiar, e às vezes até de julgar.
Você vai saber quando estiver começando a perdoar pela diminuição do seu desejo de prejudicar e se vingar (“Espero que ele pague por isto!”). E você terá perdoado completamente quando puder lembrar o acontecimento passado sem sentir nem ódio, nem raiva, nem tristeza.

5 – Seja generoso(a): pesquisas mostram que as pessoas que têm o hábito de praticar atos de auxílio ao próximo tendem a aumentar o nível de felicidade. Ao ser generoso, a pessoa não somente muda o seu olhar sobre si mesmo e oferece bem-estar aos outros, mas também provoca um turbilhão de efeitos positivos ao seu redor. Como prega o budismo: “Se quiser ser feliz, pratique a compaixão.”

6 – Desfrute os pequenos prazeres da vida: deleitar-se ou render-se aos sentidos é um dos meios decisivos de promover o saborear. Preste bastante atenção e delicie-se com os prazeres momentâneos, surpresas e os instantes mágicos. Concentre-se na doçura de uma manga madura, no aroma de uma padaria ou no calor do sol quando você sai da sombra. Receba o ar calmo e fresco depois de uma tempestade ou desfrute do crescendo de uma sinfonia. Para aguçar a percepção, a pessoa precisa concentrar a atenção em certos elementos e se fechar completamente para outros. Por exemplo, feche os olhos e mantenha-se imóvel ao ouvir uma música ou apreciar uma massagem. Permaneça absorvida no presente e procure não pensar em mais nada.

7 – Cuide do seu corpo: um corpo são e em forma é uma fonte de alegria que não se pode negar. Você faz exercícios regularmente? Pratica um esporte? Movimenta-se o bastante? Realiza alguma atividade espiritual, como meditação, oração ou mobilização básica de energia? O que você come? Você costuma intoxicar o seu organismo? O seu peso o satisfaz? A sua aparência o agrada?

8 – Entre no fluxo: o fluxo, ou experiência total, é atingido quando efetuamos tarefas à altura das nossas capacidades, não tão difíceis e nem tão fáceis. Acima do ritmo certo causa estresse e angústia, abaixo, tédio. Quando entramos no fluxo, a percepção do tempo esmaece, ficamos cativados pelo que estamos fazendo, totalmente concentrados. Trata-se de um momento de graça em que nos fundimos com a atividade que estamos realizando. As preocupações e conflitos interiores então se dissipam.
Já foi provado que sentimos o fluxo mais no trabalho do que nas horas de lazer. Portanto, é uma ilusão esperar a pausa, o fim do dia, as férias ou a aposentadoria para ser feliz. É aqui e agora que isto se dá.

Ser feliz é viver momentos de alegria e sentir prazer, mas também encontrar uma razão de ser para a sua vida e suas atividades cotidianas. Se uma receita para a felicidade fosse possível, vai aí uma dica: uma boa dose de prazer cotidiano misturado com a impressão de ver um sentido no que estamos fazendo.

Em suma, todo dia deveria oferecer a sua cota de atividades prazerosas, assim como a maioria das nossas ações deveria contribuir para dar sentido à nossa vida.

Se você deseja investir no desenvolvimento de uma vida mais plena e feliz marque uma consulta com um psicólogo clínico positivo.


Fonte: A Ciência da Felicidade – Sonja Lyubomirsky
Para Aprender a ser Feliz – Yves Alexandre Thalmann


Alexandre Alves – Psicólogo Clínico

CRP 05/39637