Meditação Mindfulness

O que é a meditação mindfulness e para que serve?

A meditação mindfulness é um estado de atenção plena no momento presente, sem julgamentos, em que o praticante simplesmente observa e aceita as suas sensações internas, boas ou ruins, sem tentar modificá-las. A meditação mindfulness tem o objetivo de aumentar o estar consciente e atento as experiências vividas, o aqui e agora. Isto significa reconhecer e aceitar a realidade como ela for, sem a avaliação emocional, distorções mentais ou reagindo de maneira automática. Quando essa prática pode ser vivenciada de forma desenvolvida a pessoa torna-se mais harmônica consigo mesma e com a realidade externa e também conquista maior autocontrole ante as adversidades da vida.

A meditação mindfulness ensina a pessoa a dar atenção ao que é positivo e belo na vida mesmo em situações estressantes que com freqüência fazem parte do nosso dia a dia. Podendo acolher novas informações com uma atitude de abertura e de atenção plena, a pessoa consegue apreciar as coisas simples da vida, como, por exemplo, um som, cheiro ou tato oriundo da natureza. A mindfulness não ensina a pessoa a evitar situações e sim estar onde quer que esteja nesse exato momento independente de experenciar sensações de prazer ou desprazer.

Como a meditação mindfulness pode ser trabalhada na psicoterapia?

A meditação mindfulness tem sido muito usada na clínica, principalmente na terapia cognitiva-comportamental. Estudos mostram que sua prática auxilia na redução do estresse, no aumento do bem-estar e na promoção da saúde. Ela é auspiciosa para diversos problemas, desde condições mais crônicas até manifestações menos intensas, além de apresentar boa eficácia para diversos transtornos mentais, como por exemplo, transtorno de personalidade boderline, transtorno do controle dos impulsos, ansiedade e depressão.

Um exemplo de como a meditação mindfulness pode ser usada na clínica é na utilização como técnica de enfrentamento para situações de descontrole e estresse. Por exemplo, nos pacientes com transtorno de personalidade boderline, em lugar de se fecharem ou serem sobrecarregados pelas suas emoções, eles a observam, mas não agem a partir delas. Concentram-se no momento presente, prestando atenção a aspectos sensoriais da experiência atual. Os pacientes são instruídos a manterem-se concentrados nesse tipo de meditação até que estejam calmos e consigam refletir sobre a situação racionalmente. Dessa forma, quando reagirem será de maneira refletida, e não impulsiva. Portanto, essa técnica possibilita o paciente acalmar-se o suficiente e refletir sobre a situação. Ele trata do momento presente, observa suas emoções sem agir a partir delas e também observa seus pensamentos. Sentir-se incomodado é o sinal que alerta o paciente para fazer o exercício de meditação.

Como praticar a meditação mindfulness?

A meditação mindfulness, quando praticada diariamente, ajuda a pessoa a assumir esse modo mental de atenção plena com mais freqüência e facilidade ao longo do dia, sem grande esforço. Veja a seguir um exercício para ser praticado de 10 a 15 minutos, projetado para reforçar o foco (restrição da atenção) e o monitoramento aberto (ampla consciência das sensações ao redor).

Como fazer:

  • Sente-se em uma posição confortável, com a coluna ereta, de forma estável e descanse a mão sobre as coxas ou, se preferir, una-as sobre o colo.
  • Abaixe os olhos ou feche-os, o que lhe parecer melhor.
  • Respire pelo nariz de forma natural, sem forçar o movimento.
  • Atente sua respiração seguindo o trajeto do ar em seu corpo. Apenas observe o ar entrar nos pulmões e sair.
  • Caso surjam outros pensamentos não se atenha a eles, deixe-os ir e volte a atenção à inspiração e a expiração.
  • Perceba as sensações em torno de sua barriga à medida que o ar flui.
  • Após 5 ou 10 minutos, mude para o monitoramento. Imagine sua mente como um vasto céu aberto e seus pensamentos, sentimentos e suas sensações como nuvens passageiras.
  • Sinta todo o corpo mexer-se suavemente com sua respiração. Seja receptivo com suas sensações, dê-se conta do que acontece no momento. Esteja atento para o que percebe: sons, aromas, a carícia de uma brisa, pensamentos, mas não se prenda a nada.
  • Depois de aproximadamente cinco minutos, abra os olhos suavemente.

Sentiu-se bem? Então repita, pois só a prática freqüente o fará familiarizar-se com essas sensações.

Quem está mais consciente vive melhor!


Alexandre Alves – Psicólogo Clínico

CRP 05/39637